sábado, 12 de fevereiro de 2011

Ternura







Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta,
muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.

Vinícius de Moraes

Coisa Amar





Contar-te longamente as perigosas
coisas do mar. Contar-te o amor ardente
e as ilhas que só há no verbo amar.
Contar-te longamente longamente.

Amor ardente. Amor ardente. E mar.
Contar-te longamente as misteriosas
maravilhas do verbo navegar.
E mar. Amar: as coisas perigosas.

Contar-te longamente que já foi
num tempo doce coisa amar. E mar.
Contar-te longamente como doi

desembarcar nas ilhas misteriosas.
Contar-te o mar ardente e o verbo amar.
E longamente as coisas perigosas.

By Manuel Alegre

Sem dúvida é amor

No silêncio da noite...
pela vidraça do quarto...
vejo sempre a mesma
estrela brilhando no espaço! 
Será que ela me vê chorando...
será que pensa ser
de dor o meu pranto...
ou até entende que é de saudade...as lágrimas que derramo?
Saudade é dor da ausência...
da ausência física...
da ausência química
que nos envolve e alucina! 
Ausência do calor dos nossos corpos se enlaçando...
ausência do olhar que pede...e...promete...
só olhando! 
Ausência da esperança...
da ternura...
do riso...
da alegria! 
Ausência da paz...
que nos faz de bem com a vida...
com o mundo...
com o amor! 
Ausência de palavras jogadas fora...
ou lembradas para sempre!
Saudade é dor de ausência...
que só acalma e passa...
com o poder
da tua presença!
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