sábado, 11 de setembro de 2010

Crystal


Filha querida




Eu não sei se você reparou,
mas eu subi até a montanha mais alta.
Eu estudei as colinas mais pedregosas,
aprendi a passar por todas;
sofri,
claro que sofri,
mas fui voando,
e crescendo,
e sendo sempre a batalha não perdida.

Eu fui ver onde era o holocausto,
vi com meus olhos
toda a morte e toda a treva da dor.
Mesmo assim eu continuei a andar.

Eu vi todo o mundo que estava magoado,
mesmo que ninguém admitisse o pranto.
Eu vi onde estavam todas as lágrimas.
Tentei resgatar gota por gota,
mas já era tarde,
e algumas coisas evaporaram antes de eu chegar.
Mesmo assim,
lutar
em nome de algo maior,
que não sabemos ao certo o que é.

Eu salvei o amor dos braços do monstro.
Corri do inferno, que agora está amedrontado,
e trouxe até seus olhos o que há de mais belo.
Eu fui aonde ninguém foi pelos seus olhos
porque você tem o sol da revolução de mim.

Então,
quando ofereci,
você alegou que o mundo está a nos separar
quando na verdade é só a rua que precisa ser atravessada.
Quem veio já de outras dimensões
não teme dar mais alguns passos,
pingando romantismo e nostalgias diversas,
para finalmente abrir seus olhos
e precipitar a chuva da primavera,
quando tudo floresce como revelações.

Assim me construo,
chamo você...
Assim o poeta espera o dia,
sem alarmes,
porque o pior passou,
a poetisa venceu.
Outras batalhas virão,
é bem verdade,
mas nenhuma colocará em risco as descobertas que já temos,
as esperanças que já construímos.

Nenhuma batalha terá o poder
de acabar com os versos seus,
onde me fiz e me transformei,
e de onde me entrego
ao rumo determinado do seu coração. 
meu tapetinho do mouse, rrss...


Cumplicidade



Não existe amor sem correspondência.
Quem ama
tem alma de poeta,
todos que amam...
Amor necessita cumplicidade,
espanto,
como uma revelação estrondosamente nova
amaciando corações
e dando respostas tão esperadas.

O amor não se faz de platonismos distantes,
porque tudo que não é reciprocidade
acaba morrendo como uma planta sem água.
Seca!
Assim são os sonhos,
secam se não regados,
se não sonhados e construídos contra a correnteza.

Amar, poetiza,
é se encontrar no outro,
morada dos desejos,
depois de tanto tempo longe do lar.
É cantar com os pássaros o dia anunciado,
interagindo com a natureza,
com todas as formas naturais da criação divina.
O amor se faz dessa comunhão permanente,
desse ardor, dessa sede,
dessa tempestade que varre a indiferença,
que varre o olhar interesseiro da carne.

O amor também é quente,
como uma vontade de sublimação,
tocar o corpo da alma amada
e ali explorar cada canto,
provocar suspiros.
Entregar as sensações mais absurdas
e depois abraçar forte
como se só ali valesse a pena viver.

Amar,
amar...
Necessidade que se faz dessa entrega mútua,
dessa vontade de viver no outro,
dessa elevação à dimensão superior.
Amar
é essa entrega e esse chamado,
essa convocação do céu.

Amar é ver teu sorriso
e ali ter a recompensa por todas as dores já tidas nessa vida.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Sem Você



Sem você todos os caminhos são longos,
A estrada perigosa, irreal.
Sem você a noite é só uma noite a mais,
Escura, sombria, impotente, sem magia.

A lua se esconde, não brilha,
E as estrelas parecem tristes,
Os pássaros entoam cantos de dor,
As flores não exalam perfume algum.

Longe de você o tempo se arrasta,
Os ponteiros perdem a pressa,
O sol se firma no céu,
A noite não vem não começa novo dia.

Sem o seu calor meu coração, pulsa,
Mas, não há vibração.
O seu gosto me faz falta,
O seu cheiro me embriaga,
Mas, você não está aqui.


Paixão



Um dia, de repente, desejei você,
Senti um fogo ardente, viril,
Não me assustei com sua fúria,
Abri minhas janelas, deixei entrar...

As labaredas percorreram veias e artérias,
Amor insano, sem medida,
Devassador, imprudente, pueril,
Fiquei estática. Recuei...

De novo e a cada dia,
Outra noite, outro dia,
Estradas sem rumo,
Caminho incerto, lucidez.

Tento agarrar as chamas,
Minhas mãos não se queimam,
Tenho o controle, tenho o poder,
 Falta-me o elo.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Fênix



Cansei do escuro!
Quero luz, câmera, ação.
Quero amor, quero paixão.
Quero ter você de verdade.

Eu não vou repartir você.
Vou abrir mão do estepe.
Sou arvore!
Não posso ser sombra.

Eu mereço o brilho dos holofotes.
Eu mereço o papel principal.
Sou a mocinha e não a vilã dessa historia.
Sou atriz principal.
Sou o enredo.
Sou o fim.

Eu amo e por que amo, encontrarei minha paz.
É festa agora! 
Chuva!
 Arco-íris!
Esperança!
 Vida! 
Estou viva!
Sobrevivi!
Vou mudar minha rota!

E viver muito...

Leilão



Quem quer comprar um coração?
Quem dá mais por um coração cheio de carinho e amor?

Quanto me dão? Quanto me dão por este coração?

Senhores, este coração é puro, sincero, doce e muito sensível.

Quanto me dão, quanto me dão?

Tenho aqui um coração de uma mulher sonhadora,
Que acredita que amar é possível.
Quanto me dão?
Quanto vale um coração?

Coração apaixonado pela vida...
Coração apaixonado pela natureza...
Dou lhe uma. Dou lhe duas. Quanto me dão?
E três. Vendido.


Comprador?
Desconhecido.

Feliz aniversário




É o seu aniversário...
Como quis poder cantar pra você a canção antiga.
É a comemoração da vida!
É dia de vitória, e outra vez não posso ir ao seu encontro.


Seu aniversario não é apenas um marco no calendário,
Pra mim é a própria seiva da vida,
Escorrida entre meus dedos,
Exalando, evaporando se longe de mim.

Como sinto ciúme disso tudo!
Como sinto raiva! 
Como sinto nojo!
Como sinto inveja das pessoas ao seu lado!
Sinto tanto, meu amor!

Outro ano de duras batalhas,
Outro ano de solidão se arrastou lentamente,
Outro ano de trabalho,
Outro ano de vida longe de seu calor.

Tudo passa menos essa dor de amar.
Tudo é vitória, menos essa triste solidão.
Parabéns para você,
Parabéns para nós  que
Vencemos mais um ano de espera.
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